domingo, 15 de agosto de 2010

É ISSO...

QUERO QUE FAÇAM UMA BREVE RESENHA SOBRE CADA CONTEÚDO ESTUDADO NO NOSSO CURSO: ENTREGAR EM: TODOSPELOSABER@GMAIL.COM...ATÉ O DIA 20/08/2010

PSCICOLOGIA DA LINGUAGEM

http://www.hdo.com.br/art/psi3237.pdf

PSICOLOGIA DA PERCEPÇÃO

Para a maioria dos profissionais em psicologia, a percepção diz respeito ao processo através do qual os objetos, pessoas, situações ou acontecimentos reais se tornam conscientes. É através da percepção que o ser humano conhece o mundo à sua volta de forma total e complexa. A percepção distingue-se da memória, porque diz respeito a acontecimentos presentes e também é diferente da inteligência e pensamento na medida em que se refere a situações concretas.

A percepção é mais um conceito em psicologia que possui diferentes considerações, a depender da abordagem teórica. Ela pode ser entendida como produto de vários elementos sensitivos ligados a experiências que o indivíduo tem anteriormente, pode ser entendida de maneira bem global, sendo irredutível às sensações, ou pode ter características tão amplas que se confunde com qualquer processo cognoscitivo. Para que o objeto possa ser percebido, ele deve se destacar do mundo fenomenológico, possuindo uma estrutura interna maior do que os outros objetos que o cercam para que se constitua uma “boa figura”, caracterizando o resto como “fundo” sobre o qual ele se destaca.

A “figura” e o “fundo” podem sofrer modificações, dependendo de diversos fatores relacionados com a percepção. A estimulação é fundamental na definição do que constitui a “figura” e no que constitui o “fundo”. Muitas vezes a passagem de “figura” para “fundo” e vice-versa acontece por causa da saturação produzida pelo sistema nervoso quando a estimulação torna-se excessiva. A atitude de um indivíduo, a movimentação do objeto, movimentação da cabeça, interposição dos objetos, tamanho relativo, perspectiva linear e o jogo de luzes e sombras também são alguns dos fatores que determinam o que se define como “figura” e o que se caracteriza como “fundo”. A percepção depende de uma série de fatores precisos, mesmo quando se trata da percepção de um movimento ilusório ou da movimentação de outro objeto que não o que realmente se move.

Autoria: Alexandre Visconti

PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE

Personalidade é um termo que apresenta muitas variações de significado. Em geral representa uma noção de unidade integrativa do ser humano, pressupondo uma idéia de totalidade. No senso comum é usada para se referir à capacidade de rápidas tomadas de decisão, para se referir a uma característica marcante da pessoa, como timidez ou extroversão por exemplo, ou ainda para se referir a alguém importante ou ilustre: “uma personalidade”. A personalidade atribuída a uma pessoa pode definir, para o senso comum, se esta pessoa é boa ou má. A psicologia evita este juízo de valor. A personalidade seria um conjunto de características que diferenciam os indivíduos.

Estes atributos seriam permanentes e dizem respeito à constituição, temperamento, inteligência, caráter, um jeito específico de se comportar. Para as teorias que utilizam o conceito de personalidade, ela significa a “organização dinâmica dos aspectos cognitivos, afetivos, fisiológicos e morfológicos do indivíduo”. Fala-se também em personalidade básica, que seriam as atitudes, tendências, valores e sentimentos dos membros de uma sociedade. A personalidade pressupõe a possibilidade de um indivíduo se diferenciar, ser original e ter particularidades. Através desta idéia pode-se predizer o que a pessoa fará em determinada situação, pode-se ter idéia de como ela reagiria. Nem todas as teorias trabalham com este conceito porque ele tem uma noção implícita de estrutura, de estabilidade e portanto de características que não mudam.

No entanto, ela é fruto de uma organização progressiva do ser humano e não apenas entendida como um fenômeno em si. Ela evolui de acordo com a organização interna do indivíduo. A psicanálise afirma que a estrutura da personalidade já está formada aos quatro ou cinco anos de idade, enquanto que, para Piaget, ela começa a se formar entre os oito e doze anos. O caráter, temperamento e os traços de personalidade são termos que se referem a esta noção. Alguns distúrbios podem se relacionar à personalidade, gerando conceitos patológicos, como é o caso da personalidade múltipla (ver em amnésia).

Autoria: Ana Carolina Saupe

ANÁLISE DE PROBLEMAS SOCIAIS

PSICOFISIOLOGIA

A Psicofisiologia



A Psicofisiologia trata das questões da psicologia que relacionam o comportamento com as bases biológicas. Psicofisiologia, portanto, é o ramo biológico da psicologia que estuda as relações mentais e as funções físicas, procurando o entendimento da relação corpo-mente e dos processos psíquicos com os fisiológicos.

Pode-se dizer que a Psicofisiologia surgiu a partir de Wilhelm Wundt, considerado o fundador da psicologia ao estabelecer em 1879 o primeiro laboratório psicológico, sendo objetos de estudos de Wundt as sensações e as percepções, porém seu método de estudo era o da introspecção, sendo assim muito subjetivo. Outro passo para a elaboração da Psicofisiologia foi o Behaviorismo (movimento nascido como reação ao método de introspecção e também à psicanálise), principalmente por parte do russo Pavlov que estabeleceu as correlações entre funções psíquicas e atividades cerebrais.


A psicologia fisiológica vem a ser uma área de grande objetividade afinada com o rigor científico e ao estudar as bases neurofisiológicas do comportamento vem a ser um complemento para a subjetividade peculiar da psicologia.

FONTE:http://www.euniverso.com.br/Psyche/Psicologia/neuropsi/psicofisiologia.htm

RELAÇÕES FAMILIARES E PSICOLOGIA

A "família", como um contexto dinâmico e único para crianças em desenvolvimento, tem sido negligenciado como um tópico proeminente, tanto na pesquisa sociológica quanto na psicologia do desenvolvimento. No entanto, recentemente, as questões sobre "família" estão sendo apontadas como uma das tendências futuras na pesquisa em psicologia. Por exemplo, a Revista American Psychologist (Vol. 56, no. 1) dedicou, em janeiro de 2001, a sua seção de "Perspectivas Internacionais" às questões de "família". Esta seção apresenta uma visão global de várias questões e tendências que as famílias e os psicólogos da família enfrentam no início do século XXI (Kaslow, 2001, p. 37).

A necessidade de pesquisas na área de "família", principalmente sob a perspectiva do desenvolvimento humano, que se caracteriza por estudar as fases de desenvolvimento do indivíduo considerando o que acontece na "família" enquanto grupo, tem sido salientada, particularmente, por Kreppner (1992). Para esse autor, a ênfase no contexto familiar e seu impacto sobre o desenvolvimento individual da criança, particularmente durante períodos de transição, ajuda-nos a compreender como os diferentes modos de realizar as tarefas de desenvolvimento podem afetar o desenvolvimento individual (p. 173).

A importância de se compreender o indivíduo no contexto da "família" vem sendo reconhecida há muitos anos (Burguess, 1926), embora a implementação de pesquisas empíricas tenha ocorrido basicamente após a publicação dos trabalhos de Urie Bronfenbrenner, na década de 70. Focalizar a singularidade e a complexidade da rede relacional da "família" permite vislumbrar um novo quadro de "família" como um grupo específico em desenvolvimento, inserido em um contexto cultural também em desenvolvimento. A noção de que a "família" e a cultura constituem contextos essenciais para a compreensão do indivíduo em sua singularidade é claramente destacada nos artigos publicados nessa Seção Especial intitulada "Questões de Família e Desenvolvimento".

Com este número, encerra-se a referida Seção, que foi planejada tendo em vista as considerações acima. Da série programada, restou-nos um artigo que, por razões de ordem técnica, não pode ser incluído neste número e será publicado no Volume 17(1). Trata-se do artigo de Reeta Sonawat, da S.N.D.T. University, Bombay, India, que apresenta uma discussão interessante sobre as "famílias" na sociedade indiana contemporânea. Assim, gostaríamos de agradecer a todos os autores, nacionais e estrangeiros, que contribuíram para a realização desta Seção Especial.



Imagens, representações e família

Isto posto, no encerramento da publicação da referida Seção, gostaríamos de trazer, para reflexão, alguns pontos relativos ao tema ao invés de apresentar um resumo, ou mesmo discutir detalhes, de cada artigo apresentado. Preliminarmente, deve ser salientado que, em se tratando de questões e tendências na "psicologia da família", temos de distinguir dois tipos de atuação dos psicólogos: a dos profissionais, exemplificada nos psicólogos clínicos e nos da psicologia escolar, e a dos pesquisadores acadêmicos, focalizando, em particular, a perspectiva do desenvolvimento para os estudos dessa especialidade.

Dessa forma, para os do primeiro grupo, muitas questões se colocam no que toca, por exemplo, ao desenvolvimento da "família edipiana" descrita pela psicanálise, ao estudo de famílias de psicóticos, e as pesquisas sobre os processos de comunicação humana. Nesse sentido, os anos 60/70 foram particularmente importantes, pois tivemos os trabalhos de Ronald Laing, David Cooper e outros pesquisadores da Antipsiquiatria, no que tange ao primeiro assunto, e as pesquisas de Gregory Bateson, dentre outros, sobre as relações de duplo vínculo e sua importância nas interações entre genitores e seus filhos. Muitos desafios se colocam também para os terapeutas da "família" e a própria prática da terapia familiar. Considerando a diversidade de formas de viver em "família", na atualidade, que inclui também o modo de vida familiar tradicional, pode-se indagar: com que "família" trabalham os terapeutas da família? Muitas outras questões sobre a "família" e suas transformações estão a pedir reflexão dos profissionais da psicologia.

Já, para os pesquisadores acadêmicos, as questões principais dizem respeito a métodos e instrumentos de pesquisa, bem como aos seus resultados. Para compreender como as "famílias" funcionam, hoje, precisamos, sobretudo, refletir sobre qual é a sua função, que funções tem lhe sido atribuídas e, principalmente, sobre aquelas, de fato, por ela exercidas. (Será que ela funciona ainda como um "lar" ou é somente um "ponto de encontro"?) Tal compreensão necessita ser feita não apenas considerando a perspectiva de cada um dos membros de uma "família", mas também de uma perspectiva sócio-cultural, e que observe as transformações das funções da "família" ao longo da história. Nesse quadro, algumas questões parecem ser fundamentais, tanto para os profissionais quanto para os pesquisadores acadêmicos. Trata-se das perguntas que podem ser feitas sobre o modo de formação de uma "família", das imagens que lhe servem de base. Por exemplo, as imagens do "amor romântico" ou as de uma família de telenovela, e as imagens que lhes fornecem ideais, como exemplificado nas imagens da Sagrada Família, da família burguesa, da proletária, da classe média, ou outras.

Cada uma dessas imagens figura valores, define funções, e, naturalmente, papéis sociais. As imagens informam a "realidade" das "famílias", dão-lhe direções, moldam-na. Não somente as imagens, mas outros aspectos fazem com que cada "família" acabe por construir para si uma "realidade" que lhe é própria, a ponto de podermos pensar que é mais promissor para a pesquisa falarmos em "realidades das famílias" que procurarmos a "realidade da família". Dessa forma, deve ser salientado que, para o pesquisador, tais realidades devem ser compreendidas em suas singularidades e não tendo em vista uma "realidade da família". Ao nos reportarmos a "realidades das famílias" e, considerando a diversidade de tipos de "famílias" nas sociedades contemporâneas, podemos dizer que interessa menos a família e mais a pesquisa feita junto às famílias existentes.

As "famílias" enfrentam e lidam com problemas trazidos pelo meio ambiente e a cultura de nossa época: a influência da escola, dos meios de comunicação de massa, dos apelos da sociedade de consumo (ex.: as muitas variantes de drogas oferecidas para consumo). Há, também, os problemas surgidos em conseqüência da variedade de concepções de sexualidade correntes e da difusão de padrões de comportamento sexual mais "liberais" (ex.: casamentos homossexuais). Adicione-se a isso, as dificuldades surgidas com as novas imagens da criança. Por um lado, a visão psicanalítica, que trata a criança como um adulto em miniatura e, por outro, a criança autônoma e independente que deve ser compreendida em sua singularidade, conforme mandam os princípios da pedagogia moderna.

As tendências e questões da psicologia da "família" são complexas e não é nossa pretensão tratar delas neste Editorial. Pretendemos, sim, despertar o leitor para a importância de considerar as questões de "família", quer na sua prática profissional quer na sua prática de pesquisa, se se objetiva, de fato, compreender o indivíduo em sua singularidade. Nesse contexto, gostaríamos de apresentar algumas questões relativas a método de investigação científica no estudo de "famílias", na perspectiva do desenvolvimento humano.



Questões teóricas e metodológicas

Comecemos por lembrar que, assim como temos imagens ou representações de "família" e de formas de vida em "família", também os cientistas têm diferentes modos de representar a "realidade". Trata-se, neste caso, de outro filtro importante na construção da "realidade" de uma "família". Não podemos representar diretamente uma tal "realidade", pois sua representação é mediada pelos instrumentos selecionados para esse fim. Ou seja, os instrumentos de coleta de dados desempenham um papel crucial nesse processo de representação da "realidade investigada". Em outras palavras, os tipos de técnicas e instrumentos que temos usado em pesquisa têm determinado o que sabemos sobre "família e desenvolvimento".

Pensar sobre os modos científicos de representar a realidade significa refletir sobre: (a) em que medida nós estamos sendo bem sucedidos ao produzir conhecimento sobre o assunto investigado e (b) o quanto os instrumentos empregados por nós são apropriados para medir o que nos propomos. Será que o emprego de entrevistas, questionários, escalas, observação do comportamento nos permite conhecer como as "famílias" funcionam? A resposta a esta questão constitui um desafio e se quisermos, de fato, obter uma compreensão mais ampla das relações familiares, precisamos, pelo menos, tentar respondê-la. Obviamente, isto requer do pesquisador não só competência, mas honestidade e humildade para avaliar se o mecanismo representacional de coleta de dados, escolhido por ele, tem sido apropriado para produzir conhecimento sobre a realidade a ser representada. Qualquer tentativa de resposta à questão envolve perguntas mais complexas como:

1. É a nossa abordagem teórica útil, no sentido de nos ajudar a responder questões relevantes e nos orientar em direção à compreensão do funcionamento das "famílias" e dos processos de desenvolvimento humano, nos dias de hoje?

2. São os nossos instrumentos mecanismos apropriados para responder questões sobre as "famílias" em desenvolvimento em um contexto também em desenvolvimento? São eles apropriados para representar o mesmo segmento da realidade familiar que estamos tentando capturar? Se sim, quais, como e em que situações?

3. São os nossos instrumentos sensíveis o suficiente para medir as dimensões das relações familiares, tomando como base contextos culturais diferentes?

Além destas questões teóricas e metodológicas, chamamos a atenção para alguns aspectos que permeiam a nossa prática de pesquisa (ver, também, Dessen & Lewis, 1998) e que, portanto, deveriam fazer parte de nossas reflexões rotineiras enquanto pesquisadores da área de desenvolvimento familiar. O primeiro deles refere-se ao quanto estamos utilizando a diversidade cultural para estudar "famílias" e, ao mesmo tempo, sendo sensíveis à conseqüente complexidade de pesquisas comparativas. É notória a escassez de estudos que têm como objetivo comparar os diferentes grupos sociais em uma mesma cultura, embora tal tendência seja evidente, atualmente. Além disso, os papéis maternos e paternos são multidimensionais, complexos e variados e precisam ser considerados em uma perspectiva cultural, histórica e intergeracional.

Estudar a "família", incluindo todos os seus membros, e refletir sobre a complexidade de nosso planejamento de pesquisa são aspectos a serem, obrigatoriamente, considerados. Quais as implicações metodológicas de se incluir todos os membros da "família" como informantes, em um único projeto de pesquisa? Que diferenças podemos esperar coletando dados de vários subsistemas componentes da "família"? É mais apropriado separar ou agrupar os dados fornecidos por múltiplos informantes? Com certeza, incluir todos os membros da "família" na amostra de um projeto não é tarefa fácil, o que torna tal empreitada desestimulante para muitos pesquisadores, principalmente no Brasil, onde as condições de pesquisa são, de fato, precárias. No entanto, um mínimo de subsistemas precisa ser incluído para que possamos ter um grau maior de certeza sobre o conhecimento produzido a respeito do segmento da realidade que estamos recortando, isto é, no mínimo díades e tríades. Além disso, precisamos conhecer os vários níveis de envolvimento de cada membro da "família" (ou de cada membro da díade ou tríade em foco), porque cada um deles pode fornecer contribuições específicas para a "família" no curso de seu desenvolvimento. E, para compreender o desenvolvimento do indivíduo em suas diferentes etapas do ciclo de vida, ao longo de diferentes gerações, precisamos compreender o desenvolvimento familiar.

Para capturar as sutilezas das relações entre os diferentes subsistemas familiares, necessitamos desenvolver uma linguagem comum para descrever as relações familiares, criando instrumentos apropriados para a coleta de dados tanto dentro como fora da "família", isto é, instrumentos que sejam capazes de capturar os segmentos da "realidade" em diferentes níveis, conforme proposto por Bronfenbrenner (1999). Esta tarefa requer que reconheçamos, sobretudo, que tanto a coleta quanto a linguagem e a(s) teoria(s) desenvolvidas fazem parte de uma estrutura de suposições e princípios em que tanto nós, pesquisadores, como as "famílias", participantes da pesquisa, trazem para a investigação. A questão principal é: estamos nós, pesquisadores brasileiros, de fato preocupados em desenvolver uma linguagem comum apropriada para descrever os papéis maternos e paternos e a dinâmica das "famílias" brasileiras, de acordo com a diversidade de nossos contextos culturais?

Nós precisamos rever, também, os nossos planejamentos e a maneira como estamos investigando as questões sobre "famílias" no Brasil, persistindo na idéia de que planejamentos longitudinais e abordagens multimetodológicas são mais adequados para capturar a complexidade da dinâmica familiar e dos processos de desenvolvimento. As dificuldades práticas inerentes ao emprego de uma tal abordagem, como alto custo financeiro e possíveis problemas de relacionamento entre os membros da equipe, requerem, do pesquisador, uma certa "dose" de imaginação e criatividade no planejamento e implementação de projetos de pesquisa. Mas, não é simplesmente usando delineamentos longitudinais e dados provenientes de diferentes grupos sociais que responderemos, satisfatoriamente, ao desafio de compreender como as "famílias" funcionam.

Para compreender como as "famílias" funcionam nas sociedades contemporâneas é preciso estudar, em profundidade, as interações e relações entre os diferentes subsistemas familiares, tendo como base a adoção de um conceito de "família" que seja apropriado ao contexto histórico e sócio-cultural do qual elas, "as famílias", fazem parte (ver Petzold, 1996, para maiores detalhes sobre o conceito atual de "família"). Repensar os conceitos de "família" que vigoram atualmente implica refletir sobre a adequação dos conceitos propostos ao método empregado. Por exemplo, devemos adotar uma definição que englobe a pluralidade de formas familiares existentes numa dada cultura, em um determinado tempo histórico, levando em conta as relações entre gerações?

O último aspecto a ser ressaltado diz respeito às questões referentes à ética na pesquisa. Evidentemente, também não nos deteremos na discussão de um tópico tão extenso e complexo, apesar de sua importância. Apenas queremos destacar o fato de que quando os procedimentos de pesquisa não são claramente definidos, os pesquisadores se baseiam em suas próprias opiniões pessoais e visões particulares de moral para determinar o que é e o que não é ético. Portanto, é necessário que os pesquisadores se familiarizem com as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisa Envolvendo Seres Humanos, do Conselho Nacional de Saúde, de abril de 1997, e também da Resolução CFP No. 016/2000, que dispõe sobre a realização de pesquisas em psicologia com seres humanos.



Considerações finais

Precisamos reconhecer que há vários tipos de "famílias", que os papéis maternos e paternos são multidimensionais e complexos e que pais e mães desempenham papéis diferentes em contextos culturais diferentes. Para compreender como a "família" funciona, é preciso, sobretudo, estudar as interações e relações desenvolvidas entre os diferentes subsistemas familiares, o contexto histórico, social e econômico no qual as "famílias" estão inseridas e a "família" em diferentes contextos culturais. Estudar a diversidade cultural favorece o desenvolvimento de teorias mais claras e a construção de conceitos mais válidos de "família". A publicação dos 13 artigos que compõem esta Seção Especial nos permite ilustrar as noções discutidas neste Editorial e nos dá a certeza de que os dados coletados e as teorias que desenvolvemos estão diretamente relacionados ao o que o pesquisador e as "famílias" trazem para a investigação.

Gostaríamos de finalizar esse Editorial fazendo um agradecimento especial a Denise Fleith, não só pelo excelente trabalho que vem realizando como Secretária de Divulgação da Revista, como pela ajuda prestada na revisão final dos manuscritos de língua inglesa da Seção Especial que ora encerramos.


FONTE:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-37722000000300001&script=sci_arttext

TRANSTORNOS MENTAIS

Baseado na Organização Mundial de Saúde – OMS - ONU, entendem-se como Transtornos Mentais e Comportamentais as condições caracterizadas por alterações mórbidas do modo de pensar e/ou do humor (emoções), e/ou por alterações mórbidas do comportamento associadas a angústia expressiva e/ou deterioração do funcionamento psíquico global. Os Transtornos Mentais e Comportamentais não constituem apenas variações dentro da escala do "normal", sendo antes, fenômenos claramente anormais ou patológicos.
Uma comportamento anormal ou um curto período de anormalidade do estado afetivo não significa, em si, a presença de distúrbio mental ou de comportamento. Para serem categorizadas como transtornos, é preciso que essas anormalidades sejam persistentes ou recorrentes e que resultem em certa deterioração ou perturbação do funcionamento pessoal, em uma ou mais esferas da vida. Os Transtornos Mentais e Comportamentais se caracterizam também por sintomas e sinais específicos e, geralmente, seguem um curso natural mais ou menos previsível, a menos que ocorram intervenções. Nem toda deterioração humana denota distúrbio mental.

As pessoas podem sofrer angústia em virtude de circunstâncias pessoais ou sociais e, a menos que sejam satisfeitos todos os critérios necessários para o diagnósticos de determinado distúrbio, essa angústia não constituirá distúrbio mental. Há diferença, por exemplo, entre um estado afetivo deprimido e depressão doença, o primeiro surgindo como resposta a uma determinada circunstância estressante e a outra como uma doença franca.

Diferentes modos de pensar e se comportar, entre diferentes culturas, podem influenciar a maneira pela qual se manifestam os Transtornos Mentais. Assim, as variações normais determinadas pela cultura não devem ser rotuladas como Transtornos Mentais, da mesma forma como, também, não podem ser tomadas como indicações de distúrbio mental as crenças sociais, religiosas e/ou políticas. Essas nuances étnicas e culturais fazem parte da chamada Psiquiatria Transcultural.

Os Transtornos Mentais e de Comportamento considerados pela Classificação Internacional das Doenças da OMS da ONU (CID.10) obedecem descrições clínicas e normas de diagnóstico e compoem uma lista bastante completa. Há também outros critérios de diagnóstico disponíveis para a pesquisa, para uma definição mais precisa desses transtornos, como é o caso do DSM.IV, da Associação Norte-americana de Psiquiatria. Todas essas classificações de Transtornos Mentais classïficam síndromes, doenças e condições, mas não classificam pessoas, as quais podem sofrer um ou mais desarranjos emocionais durante um ou mais períodos da vida, independentemente das etiquetas diagnósticas estabelecidas pelo sistema.

O Dagnóstico
Para um entendimento mais prático e objetivo sobre o diagnóstico das doenças mentais veja a página O Diagnóstico em Psiquiatria.

Os Transtornos Mentais e Comportamentais são identificados e diagnosticados através dos métodos clínicos semelhantes aos utilizados para os transtornos físicos. Esses métodos incluem uma cuidadosa entrevista (anamnese) colhida com o paciente e com outras pessoas, incluindo sua família, um exame clínico sistemático para verificar o estado mental e suas condições orgânicas, testes e exames especializados que forem necessários. Registraram­-se, nas últimas décadas, avanços importantes na padronização da avaliação mental e emocional, bem como na confiabilidade dos diagnósticos clínicos.

Graças aos esquemas internacionais estruturados e padronizados de entrevistas, graças às definições uniformes dos sinais, dos sintomas e dos critérios de diagnóstico, é possível atingir alto grau de confiabilidade e validade no diagnóstico de Transtornos Mentais. Esses sinais e sintomas foram internacionalmente definidos detalhadamente para permitir uma linguagem comum e uniforme em todo mundo científico, imprescindível para o diagnóstico e para as pesquisas. Assim, os critérios de diagnóstico para Transtornos Mentais foram padronizados internacionalmente de tal forma que, atualmente, é possível diagnosticar Transtornos Mentais de forma tão confiável e precisa quanto a maioria dos transtornos orgânicos.

Com a uniformidade dos métodos, critérios e conceitos a concordância entre dois especialistas em diagnóstico de Transtornos Mentais apresenta médias entre 70 e 90% (Wittchen et al. 1991; Wing et al. 1974; WHO 1992; APA 1994; Andrews et al. 1995). Essas cifras estão na mesma faixa da concordância de diagnóstico dos transtornos físicos como, por exemplo, a diabete, a hipertensão ou a doença coronariana e assim por diante.

Como um diagnóstico preciso é requisito essencial para uma intervenção apropriada, bem como para a dados estatísticos e epidemiológicos precisos, os avanços nos métodos de diagnóstico vieram facilitar, consideravelmente, a aplicação de princípios clínicos e de saúde pública na área da saúde mental. Embora a promoção da saúde mental positiva para todos os membros da sociedade seja evidentemente uma meta importante, ainda há muito que aprender sobre como atingir esse objetivo.

Fatores Biológicos, Psicológicos e Sociais
Por muitos anos, os cientistas discutiram a importância relativa dos fatores genéticos versus fatores ambientais no desenvolvimento de Transtornos Mentais e de Comportamento. Hoje, entre as causas, os determinantes e os agravantes da Doença Mental a separação artificial dos fatores biológicos, psicológicos e sociais tem constituído um grande obstáculo ao estudo e compreensão. Na verdade, esses transtornos mentais são semelhantes a muitas doenças físicas, pelo fato de resultarem de uma complexa interação de vários fatores.

A evidência científica moderna indica que os Transtornos Mentais e Comportamentais resultam de fatores genéticos e ambientais ou, em outras palavras, da interação da biologia com fatores sócio-ambientais. O cérebro não reflete simplesmente o desenrolar determinista de complexos programas genéticos, nem é o comportamento humano mero resultado do determinismo ambiental. Já desde antes do nascimento e por toda a vida, os genes e o meio ambiente estão envolvidos numa série de complexas interações. Essas interações são cruciais para o desenvolvimento e evolução dos Transtornos Mentais e Comportamentais.

A ciência moderna está mostrando, por exemplo, que a exposição a estressores durante o desenvolvimento inicial da pesonalidade está associada com a hipereatividade cerebral persistente e o aumento da probabilidade de depressão numa fase posterior da vida (Heim et al. 2000). É promissor o fato de se haver mostrado que a terapia comportamental para transtornos obsessivo-compulsivo resulta em mudanças na função cerebral que podem ser observadas usando técnicas de registro de imagens e que são iguais aos que se podem obter mediante o uso de terapia medicamentosa (Baxter et al. 1992).

Não obstante, o descobrimento de genes associados ao aumento do risco de transtornos emocionais continuará proporcionando instrumentos de pesquisa importantes, os quais, juntamente com uma compreensão maior dos circuitos neurais, virão trazer novos e importantes vislumbres à fisiopatologia dos Transtornos Mentais e de Comportamento.

Ainda há muito que aprender sobre as causas e agravantes dos Transtornos Mentais e Comportamentais, mas as contribuições da neurociência, da genética, da psicologia e da sociologia, entre outras, desempenham importante papel informativo da maneira da psiquiatria compreender essas complexas relações. Uma apreciação cientificamente fundamentada das interações entre os diferentes fatores contribuirá poderosamente para erradicar a ignorância e pôr paradeiro aos maus-tratos infligidos pela própria sociedade às pessoas com esses problemas.

1. - Fatores Biológicos
A idade e o sexo estão associados com Transtornos Mentais e Comportamentais. Já foi demonstrada a associação dos Transtornos Mentais e Comportamentais com perturbações da comunicação neural no interior de circuitos específicos. Na esquizofrenia, anormalidades na maturação dos circuitos neurais podem produzir alterações detectáveis na patologia no nível das células e dos tecidos grossos, as quais resultam no processamento incorreto ou mal adaptativo de informações (Lewis e Lieberman 2000).

Na depressão, contudo, é possível que não ocorram anormalidades anatômicas distintas e o risco da doença pode ser devido antes a variações na responsividade dos circuitos neurais (Berke e Hyman 2000). Estas, por sua vez, podem refletir alterações quase imperceptíveis na estrutura, na localização ou nos níveis de expressão de proteínas críticas para a função normal.

Certos Transtornos Mentais, como a dependência de substâncias psicoativas, por exemplo, podem ser encarados em parte como resultado de plasticidade sináptica mal adaptativa. Noutras palavras, alterações das conexões sinápticas, resultantes quer da ação de drogas, quer da experiência, podem produzir alterações de longo prazo no pensamento, na emoção e no comportamento.

Paralelamente ao progresso na neurociência, ocorreram avanços na genética. Quase todos os Transtornos Mentais e Comportamentais graves comuns estão associados com um significativo componente de risco genético. Estudos do modo de transmissão de Transtornos Mentais entre diversas gerações de famílias extensas e estudos que comparam o risco de Transtornos Mentais em gêmeos monozigóticos (idênticos), em oposição a gêmeos dizigóticos (fraternais), levaram, porém, à conclusão de que o risco das formas comuns de Transtornos Mentais é geneticamente complexo.

Os Transtornos Mentais e Comportamentais devem-se, predominantemente, à interação de múltiplos genes de risco com fatores ambientais. Ademais, é possível que a predisposição genética ao desenvolvimento de determinado distúrbio mental ou comportamental se manifeste somente em pessoas sujeitas a certos estressores que desencadeiam a patologia.

Os exemplos de fatores ambientais poderiam abranger desde a exposição a substâncias psicoativas no estado fetal, até a desnutrição, infecção, perturbação do ambiente familiar, abandono, isolamento e trauma.

2. - Fatores Psicológicos
Existem também fatores psicológicos individuais que se relacionam com a manifestação de Transtornos Mentais e Comportamentais. Um importante achado ocorrido no século XX e que deu forma à compreensão atual, é a importância decisiva do relacionamento Com os pais e outros provedores de atenção durante a infância.

O cuidado afetuoso, atento e estável permite ao lactente e à criança pequena desenvolver normalmente funções como a linguagem, o intelecto e a regulação emocional. O malogro pode ser causado por problemas de saúde mental, doença ou morte de um provedor de atenção.

A criança pode ficar separada do provedor devido à pobreza, guerra ou deslocamento populacional. A criança pode carecer de atenção por não haver serviços sociais disponíveis na comunidade maior. Seja qual for a causa específica, a criança privada de afeto por parte de seus cuidadores tem mais probabilidades de manifestar Transtornos Mentais e Comportamentais, seja durante a infância ou numa fase posterior da vida.

A comprovação desse achado foi dada por lactentes que viviam em instituições que não proporcionavam um nível de estimulação suficiente. Embora recebessem nutrição adequada e atenção física, essas crianças tinham grandes chances de apresentar graves prejuízos nas interações com outras, na expressividade emocional e na maneira de lidar com a adaptação às ocorrências estressantes. Em certos casos, verificaram-se também déficits intelectuais.

Outro achado importante é o de que o comportamento humano e configurado, em parte, através de interações com o meio ambiente natural ou social. Essas interações podem resultar em conseqüências desejáveis ou indesejáveis para o indivíduo. Basicamente, estes têm mais probabilidades de praticar comportamentos que são recompensados pelo ambiente e menos probabilidades de praticar comportamentos que são ignorados ou castigados.

Assim, os Transtornos Mentais e Comportamentais podem ser considerados como comportamento mal adaptativo aprendido, seja diretamente, seja pela observação de outros com o passar do tempo. Provas disso vêm de décadas de investigação sobre aprendizagem e comportamento, confirmadas ainda pelo sucesso da terapia do comportamento, que usa esses princípios para ajudar as pessoas a alterar padrões mal adaptativos de pensamento e comportamento.

Finalmente, a ciência psicológica mostrou que certos tipos de transtornos mentais e comportamentais, como a ansiedade e a depressão, podem ocorrer em conseqüência da incapacidade de se adaptar a uma ocorrência vital estressante. De modo geral, as pessoas que procuram não pensar nos estressores ou fazer face a eles têm mais probabilidades de manifestar ansiedade ou depressão, enquanto as que discutem seus problemas com outras e procuram encontrar meios de controlar os estressores funcionam melhor com o passar do tempo. Esse achado levou ao desenvolvimento de intervenções que consistem em ensinar aptidões para enfrentar a vida.

Coletivamente, essas descobertas contribuíram para a compreensão dos Transtornos Mentais e Comportamentais. Ademais, constituíram a base do desenvolvimento de toda uma série de intervenções efetivas.

3. - Fatores Sociais
Embora se tenha estabelecido a associação de fatores sociais, como por exemplo a urbanização e a pobreza com o desenvolvimento de Transtornos Mentais e Comportamentais, não há razão para supor que as conseqüências das alterações sociais para a saúde mental sejam as mesmas para todos os setores de determinado segmento social. As mudanças geralmente exercem efeitos diferenciais baseados no status econômico, no sexo, na raça e na etnia.

Entre 1950 e 2000, a proporção da população urbana da Ásia, África, América Central e do Sul subiu de 16% para 50% dos habitantes daquelas regiões (Harpham e Blue, 1995). Em 1950, as cidades do México e de São Paulo tinham, respectivamente, 3,1 milhões e 2,8 milhões de habitantes, mas em 2000 as populações estimadas de ambas eram de 10 milhões de habitantes.

A natureza da urbanização moderna pode ter conseqüências deletérias para a saúde mental, devido à influência de estressores maiores e de eventos vitais adversos mais numerosos, como por exemplo o congestionamento, a poluição do meio ambiente, a pobreza e a dependência comum em uma economia baseada no dinheiro, com altos níveis de violência ou reduzido apoio social (Desjarlais et al. 1995).

Aproximadamente a metade das populações urbanas em países de renda média e baixa vive na pobreza, e há dezenas de milhões de adultos e crianças sem teto. Em certas zonas, o desenvolvimento econômico está forçando um número crescente de indígenas a migrar para áreas urbanas em busca de uma forma mais viável de ganhar a vida.

Via de regra, a migração não produz melhoria do bem-estar social; ao contrário, resulta freqüentemente em altos índices de desemprego e condições miseráveis de vida, expondo milhares de migrantes ao estresse social e a um risco maior de Transtornos Mentais devido à ausência de redes de apoio social. Os conflitos, as guerras e a inquietação social estão associados com elevação das taxas de problemas de saúde mental.

A vida real também é cheia de problemas para muitas pessoas. São problemas comuns o isolamento, falta de transportes e comunicações, e limitadas oportunidades educacionais e econômicas. Ademais, os serviços mentais e sociais tendem a concentrar os recursos e a perícia clínica nas grandes áreas metropolitanas, deixando poucas e limitadas opções para os habitantes rurais que, porventura, necessitem de atenção em saúde mental.

Um estudo recente sobre o suicídio de pessoas idosas em certas zonas rurais da Província de Hunan, na China, mostrou um índice de suicídios mais elevado nas áreas rurais (88,3 por 100.000) do que nas urbanas (24,4 por 100.000) (Xu et al. 2000). Em outros países, foram informados índices de depressão entre mulheres das áreas rurais mais de duas vezes maiores do que os das estimativas para mulheres na população geral (Hauenstein e Boyd 1994) .

Existe uma relação complexa e multidimensional entre pobreza e saúde mental. Em sua definição mais estrita, pobreza é a falta de dinheiro ou de posses materiais. Em termos mais amplos, talvez mais apropriados para discussões relacionadas com Transtornos Mentais e Comportamentais, pode-se entender como pobreza um estado em que não se dispõe dos meios suficientes, podendo incluir-se nisto a falta de recursos sociais ou educacionais.

A pobreza e as condições associadas a ela, como é o caso do desemprego, do baixo nível de instrução, da privação e do desabrigo, não somente estão muito difundidas nos países pobres, como também afetam uma minoria bastante considerável nos países ricos. Os pobres e os desfavorecidos acusam uma prevalência maior de Transtornos Mentais e Comportamentais, inclusive transtornos do uso de substâncias. Essa prevalência maior pode ser explicada tanto por uma ocorrência maior desses transtornos entre os pobres, como pela tendência à queda na pobreza dos mentalmente enfermos.

Embora haja controvérsia no tocante à determinação de qual desses dois mecanismos é responsável pela prevalência maior de Transtornos Mentais e Comportamentais entre os pobres, os indícios disponíveis parecem indicar que ambos são relevantes (Patel, 2001). Esse mecanismo causal, por exemplo, pode ser mais válido em relação aos transtornos de ansiedade e depressão, enquanto a teoria da queda na pobreza seria mais aplicável para os transtornos psicóticos e uso de substâncias.

Esses dois mecanismos, porém, não se excluem um ao outro: um indivíduo pode ser predisposto a Transtornos Mentais devido a sua situação social, enquanto outro que apresenta transtornos pode estar enfrentando uma privação maior pelo fato de estar doente. Tal privação inclui níveis mais baixos de aproveitamento escolar, desemprego e, em casos extremos, desabrigo.

Visando ilustrar melhor as influências da biologia, da psicologia e da sociedade sobre o desenvolvimento das Doenças Mentais vamos reproduzir aqui a idéia contribuição do modelo proposto por Smith. Segundo esta, são quatro os mecanismos de influência, tanto para o desenvolvimento da personalidade quanto, obviamente, para o desenvolvimento das Doenças Mentais. São eles:

1 - Mecanismo Genético-Constitucional Direto
O mecanismo genético direto sugere uma influência dos genes e/ou da constituição de maneira direta na formação da Personalidade. Neste caso, a influência ambiental é muito diminuta e a participação constitucional é quase absoluta. São poucas as situações que se enquadram neste mecanismo e a maioria delas refere-se aos casos de deficiência mental, como por exemplo, a Trissomia 21 ou Síndrome de Down, entre outras.

De um modo geral, são situações onde o patrimônio genético determina uma configuração especial no indivíduo de natureza decididamente irreversível e imune às alternativas terapêuticas atuais (grife-se "atuais"). Diz-nos o bom senso que de acordo com os avanços dos conhecimentos da genética, tais situações tendem a rarear cada vez mais. A detecção precoce de genes anômalos ou patogênicos e o conhecimento acerca da penetrância de tais genes prometem um futuro mais otimista na área da genética e da concepção humana. Entretanto, atualmente tais procedimentos corretivos da formação constitucional desenvolvem-se, quase exclusivamente, na esfera da prevenção e não do tratamento.

Falamos em Genético-Constitucionais e não apenas em Genéticos (como propunha Smith) devido às diferenças entre um acontecimento apenas genético e outro constitucional. Genético significa, em tese, hereditário. Constitucional, por sua vez, significa que faz parte da constituição da pessoa (inato), podendo ou não ser genético. A encefalopatia proporcionada pela toxoplasmose congênita, por exemplo, é constitucional, mas não é genética.

2 - Mecanismo Genético-Constitucional Indireto
Neste caso, muito embora os traços marcantes da Personalidade possam ser determinados por fatores genéticos e/ou constitucionais, a atuação decisiva do ambiente poder alterar o curso do desenvolvimento do indivíduo. Uma surdez congênita, por exemplo, capaz de determinar uma Personalidade peculiar em decorrência das importantes limitações de desenvolvimento, será marcadamente atenuada caso o enfermo possa dispor de recursos especializados de treinamento e educação.

Os genes, neste caso, são herdados como possibilidades de se tornarem ou não determinantes de características na Personalidade, dependendo do tipo de atuação ambiental. Um indivíduo que tenha em si uma potencialidade genética de ser alto, por exemplo, poder terminar seu desenvolvimento com baixa estatura se o meio não lhe fornecer condições adequadas de nutrição.

Encontram-se, nesta possibilidade, os transtornos emocionais considerados endógenos pela psicopatologia. É o caso da esquizofrenia, por exemplo, que pode ou não se manifestar durante a vida do indivíduo apesar da probabilidade constitucional-genética. A eclosão franca da doença dependerá de um complexo conjunto de circunstâncias. Também a epilepsia poderia ser entendida através deste mecanismo, assim como outras condições psicopatológicas de comprovada concordância familiar.

3 - Mecanismo Ambiental Geral
O ambiente em caráter geral, dentro do espaço sócio-cultural a que pertence o indivíduo, pode favorecer o desenvolvimento de alguns traços peculiares na forma de relacionamento para com o mundo. Os estímulos, as solicitações, as oportunidades de treinamento, as normas de convivência, enfim, todo o patrimônio oferecido à pessoa através do sistema sócio-cultural e ambiental poderá determinar modalidades características da pessoa existir.

Será sobre as potencialidades constitucionais que o ambiente desempenhará uma ação modeladora da Personalidade, ou seja, o ambiente poderá alterar os rumos do desenvolvimento geral conferindo uma determinada maneira do indivíduo ser. Em termos psicopatológicos podemos alocar aqui alguns transtornos ditos neuróticos, com notável predominância dos elementos existenciais sobre os constitucionais.

4 - Mecanismo Ambiental Específico
Encontramos aqui os elementos ambientais relacionados especificamente a determinados aspectos do desenvolvimento da Personalidade como, por exemplo, a desnutrição, o alcoolismo, certas infecções, intoxicações, etc. São intercorrências ambientais que atuam na Personalidade especificamente neste ou naquele aspecto, como pode ser o caso de um traumatismo craniano, após o qual o indivíduo tenha passado a apresentar convulsões ou demenciação.

Neste caso podemos detectar UM elemento ambiental específico e responsável pela alteração no rumo do desenvolvimento da Personalidade. Isso quer dizer que sem este fator ambiental específico a Personalidade tomaria outro rumo e o indivíduo apresentar-se-ia na vida com outro desempenho existencial.

Embora a proposta esquematizada por Smith possa facilitar uma reflexão acerca do problema ambiente-constituição na gênese da Personalidade ou, mais além, na gênese dos transtornos da Personalidade, isso não deve ser tomado como uma questão hermética. Tanto para o desenvolvimento da Personalidade normal, quanto da patológica ou da não-normal, sempre iremos nos defrontar com uma condição multifatorial. Uma conjunção de vários destes mecanismos de influência.

Na psicopatologia a idéia de causalidade deve ser vista com muita prudência. Nenhuma situação de desenvolvimento da Personalidade poderá ser determinada, exclusivamente, por este ou por aquele mecanismo proposto por Smith, antes disso, o que se vê com mais freqüência é sim uma conjunção de mais de um deles.

Como se vê, atualmente o mais sensato seria admitir uma natureza bio-psico-social para como origem da Personalidade e o peso com que cada qual desses elementos participam na maneira como a pessoa É hoje, aqui e agora, será extremamente variável e individual.

Outras questões envolvidas
Os Transtornos Mentais podem causar incapacidade grave e definitiva, inclusive a incapacidade de trabalhar. Não havendo apoio social disponível, como freqüentemente ocorre nos países em desenvolvimento, não havendo organismos de bem-estar social organizados, o empobrecimento se verifica com bastante rapidez.

Há indicações também, de que a progressão dos Transtornos Mentais e Comportamentais é determinada pelo status socioeconômico do indivíduo. Isso pode ser devido à falta geral de serviços de saúde mental, combinada com as barreiras enfrentadas por certos grupos socioeconômicos no acesso à atenção. Os países pobres dispõem de poucos recursos para atenção em saúde mental e, muitas vezes, tais recursos não estão disponíveis para os setores mais pobres da sociedade.

Mesmo nos países ricos, a pobreza, juntamente com fatores associados, tais como a falta de cobertura de seguros, nível mais baixo de instrução, desemprego e situação minoritária, em termos de raça, etnia e idioma, pode criar barreiras insuperáveis à atenção. O desnível de tratamento para a maioria dos Transtornos Mentais, que já é alto, mostra-se efetivamente enorme para a população pobre.

Entre os diferentes elementos econômicos, os múltiplos papéis desempenhados pela mulher na sociedade, colocam-na em maior risco de Transtornos Mentais e Comportamentais. As mulheres continuam arcando com o fardo da responsabilidade, associado com as condições de esposas, mães, educadoras e provedoras de atenção para outros, ao mesmo tempo em que se estão transformando numa parte cada vez mais essencial da mão-de-obra, constituindo, em um quarto a um terço das famílias, a principal fonte de renda.

Além das pressões impostas às mulheres em virtude da expansão de seus papéis, não raro em conflito, elas vivenciam significativa discriminação sexual, concomitante à pobreza, à fome, à desnutrição, ao excesso de trabalho, à violência doméstica e sexual.

Assim, pouco surpreende que as mulheres tenham acusado maior probabilidade do que os homens em receber prescrição de psicotrópicos. A violência contra a mulher constitui um significativo problema social e de saúde pública que afeta mulheres de todas as idades, de todos ambientes culturais e em todos os níveis de renda.

O racismo também levanta questões importantes. Embora ainda haja relutância em debater o preconceito racial e étnico no contexto da saúde mental em certos setores sociais, pesquisas psicológicas, sociológicas e antropológicas demonstraram que o racismo está relacionado com perpetuação de problemas mentais. A julgar pelos indícios disponíveis, as pessoas alvo do racismo por muito tempo têm maior risco de apresentar problemas mentais ou sofrer agravamento de problemas que já existem. Psiquiatras que estudam a relação entre racismo e saúde mental nas sociedades onde o racismo é prevalente, observaram que o racismo pode acentuar a depressão, por exemplo.

Numa recente resenha de dez estudos de diferentes grupos sociais na América do Norte, perfazendo um total de 15.000 respondentes, verificou-se uma associação positiva fortemente estabelecida entre experiências de racismo e angústia psicológica (Williams e Williams-Morris, 2000).

A influência do racismo pode ser considerada também em nível da saúde mental coletiva, de grupos e sociedades. O racismo tem fomentado muitos sistemas sociais opressores ao redor do mundo e através dos tempos. Na história. recente, o racismo permitiu aos brancos africanos do sul, definir os sul-africanos negros como "inimigos", e assim cometer atos que, em outras circunstâncias, seriam considerados moralmente repreensíveis.

As proporções e a rapidez extraordinárias da mudança tecnológica nos fins do século XX é outro fator associado à manifestação de Transtornos Mentais e Comportamentais. Essas mudanças tecnológicas, especialmente a revolução nas comunicações, oferecem tremendas oportunidades para um incremento da disseminação de informações e emancipação de seus usuários. A telemedicina hoje possibilita proporcionar tratamento à distância.

Esses avanços têm, contudo, seu lado negativo. Há indícios sugerindo que a própria mídia pode ter influência sobre os níveis de violência, sobre o comportamento sexual e sobre o interesse na pornografia. A exposição à violência nos jogos de vídeo também aumenta o comportamento agressivo e outras tendências agressivas (Dill e Dill, 1998). Hoje em dia, os gastos com a publicidade em todo o mundo estão ultrapassando em um terço o crescimento da economia mundial. A comercialização agressiva está desempenhando papel substancial na globalização do uso de álcool e tabaco entre os jovens, aumentando assim o risco de transtornos relacionados com o uso de substâncias e condições físicas associadas (Klein, 1999).



para referir:
Ballone GJ - O que são Transtornos Mentais - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, 2008

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

DESENVOLVIMENTO HUMANO....

http://www.pucpr.br/ensino/proj_comunitario/documentos/DESENVOLVIMENT_%20HUMANO.pdf

PRECISO QUE LEIAM...
ESSE SERIA O CONTEÚDO QUE DEVÍAMOS TER APRENDIDO NESTES MAIS DE 4 MESES... PORÉM...DEVIDO AO TEMPO... NÃO DEU:(....

Psicologia Geral

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ENTÃO EU VOU TENTAR RAPIDAMENTE EXPLICAR UM POUCO DE CADA UMA DELAS PARA VO6...